Papo de Garotas: Gravidez na adolescência

Olá meninas!  Tem pouco tempo que escrevi um post falando sobre os métodos contraceptivos para evitar uma gravidez indesejável ou até mesmo uma possível DST. E logo fiquei pensando qual seria o próximo post que viria pra vocês, e a Barbara logo disse algo sobre gravidez. E é lógico que acatei a ideia, e já pensei em ter uma conversa com alguém que já tivesse passado pela situação, e mais uma vez a Barbara entrou em ativa, e falou para que eu pudesse conversar com a Melina (nossa eterna professora de Biologia e mais que isso amiga), pois ela contou uma vez pra nós na sala sobre essa experiência dela, que além de tudo com certeza vai servir de exemplo pra muitas adolescentes que estão passando por essa situação.
Então vamos direto as perguntas que fiz a Mel.

1.      Com que idade engravidou?
     Engravidei com 17 anos, mas quando minha filha nasceu estava com 18 anos.

2.      Quando soube que estava grávida?
Soube através de um exame de laboratório, pois já estava em dúvidas por estar com a menstruação atrasada. Foi meu namorado (na época, hoje atual marido) que buscou o resultado. Estava passando pelo momento de receber a notícia do resultado do vestibular. Eu tinha passado na primeira fase da UFG e esperando a resposta da segunda. E tudo saiu no mesmo dia. Fiquei sabendo que estava grávida no mesmo dia em que fiquei sabendo que não passei no vestibular. Quando o meu esposo chegou com o resultado e ficou sabendo que não tinha passado no vestibular, ele não quis me entregar, disse que não tinha ficado pronto. Mas sabia que ele tinha pegado. Então deduzi. Tive a certeza que estava grávida mesmo sem ver o resultado.

3.      Qual a sua reação após saber?
Após que fiquei sabendo, fiquei sem chão. Não sabia o que iria acontecer. Chorei de medo em saber qual seria meu futuro. Para uma adolescente o futuro muitas vezes assusta, pois nunca sabemos o que irá acontecer e a insegurança é muito grande. E quando me vi grávida, sem emprego e tendo que contar para os meus pais e pensar na decepção deles, fiquei muito chateada comigo mesmo.

4.      Quem foi a primeira pessoa que você contou?
A primeira pessoa que ficou sabendo foi meu namorado e marido atualmente. Ele participou de todo o processo, foi comigo no laboratório e ele que foi buscar o resultado. Mas fora ele a primeira pessoa que contei foi para a minha mãe.

5.      Quando contou aos seus pais?
Como disse contei primeiramente para a minha mãe. Mas após quase dois meses depois que descobri. Demorei muito para tomar coragem. Contei para minha mãe primeira, não porque meu pai era mais “bravo” pelo contrário, mas acredito por ela ser mulher, ou por medo da decepção do meu pai. Não sei bem ao certo.

6.      Qual a reação dos seus pais?
Minha mãe quase bateu o carro, kkkkk, contei na volta de um passeio ao shopping, estava sozinha com minha mãe no carro e achei que aquele seria o momento. Quando chegamos em casa minha mãe contou para o meu pai longe de mim, mas escutei a conversa. Percebi que meu pai ficou chateado, mas logo ele disse: “Não temos o que fazer a única coisa a se fazer a dar todo apoio a ela.” Chorei muito ao perceber o tamanho do amor que eles tinham por mim.

7.      Qual a reação do seu namorado?
Como ele participou de todo o momento, posso dizer que em todo o momento ele estava me apoiando. Acredito inclusive que ele estava mais tranquilo que eu (pelo menos por fora... kkkk) E depois que contei aos meus pais ele e meu sogro foram na minha casa para me pedir em casamento. Mas meu pai naquele momento não quis que eu casasse. Pois disse que eu iria fazer uma graduação e conseguir um emprego, que não iria casar só porque engravidei. E eu escutei meus pais, não casei, estudei, me formei, passei em um concurso, mas continuei namorando, e após 10 anos de namoro nos casamos em uma linda cerimônia.

8.      Como conciliou a gravidez com os estudos?
Já tinha terminado o ensino médio, mas continuei estudando fazendo cursinho de Português, Inglês e estudando para tentar fazer uma faculdade. Não foi fácil. Os enjoos, o sono a dificuldade de ficar sentada com aquele barrigão. Mas acredito que a pior parte eram os olhares. Olhavam com cara de pena, de dó por estar tão nova e já grávida, não era legal. E sempre fui muito reservada, então a ideia de expor para a minha família e sociedade que eu já tinha uma vida sexual ativa não me agradava, por mais que isso possa parecer engraçado.

9.      Como foi lidar com as mudanças do seu corpo?
    Foi estranho. Eu era muito magra então tive que lidar com a ideia de ver meu corpo aumentar, minhas roupas não caberem. Mas a pior parte já tinha passado que era contar      para os meus pais. E como meus pais estavam me ajudando em que eu precisar, pensei,      larga de frescura agora o resto é comigo, vou ter que aguentar.

10.  Quais foram os primeiros cuidados?
O primeiro cuidado de todos foi ir atrás de um ginecologista. Pois até então nunca tinha feito nenhuma consulta. E sempre digo, a mulher deve ir ao ginecologista assim que menstruar, não tem que esperar começar uma vida sexual não. E a minha médica me ajudou muito, tanto com a minha alimentação como os cuidados com minha pele e saúde.

11.  Como foi depois que o (a) bebê nasceu?
Tive que amadurecer, realmente eu quis assumir a responsabilidade de ser mãe. Não deixava de cuidar da minha filha para nada. O que foi um pouco mais complicado foi cursar a faculdade. Ainda bem que tinha quem me ajudar em quanto estava em aula, mas fora esse horário era sempre comigo, fazia questão de estar junto. Mesmo durante as noites que eu tinha que estudar e que a minha filha chorava a noite, deixava o livro de lado, ficava com ela até dormir e depois voltava para os livros, mesmo pingando de sono.
Mas principalmente depois que minha borboletinha nasceu tudo mudou. Consegui compreender o verdadeiro sentido do que é amar de verdade. Consegui compreender o sentimento que meus pais têm por mim e a dar muito mais valor a minha mãe.

12.  E por último, você se arrepende de ter sido mãe na adolescência?
É uma questão complicada de ser respondida. Pois tudo o que passei, mesmo com a ajuda dos meus pais, e sei que não são todas que tem essa sorte grande, mas mesmo assim não foi fácil. Mas o amor que sinto pela minha filha superou isso tudo. E ela me fez uma pessoa melhor.


      Então meninas, é isso. Espero que vocês tenham gostado do nosso segundo Papo de Garotas, que teve uma participação mega especial da Melina.


Beijos!

Márlly Gualberto




3 comentários:

  1. Parabéns pela iniciativa Márlly. Texto claro e informativo, tenho certeza que vai auxiliar muitas garotas nessa fase tão importante da vida. Além de uma jovem consciente também mostrou ser boa formadora de opinião. Muito legal.

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    1. Obrigada Hugo, é por comentários como o seu que me sinto ainda mais motivada a estar compartilhando informações com os leitores do blog.

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  2. eu adorei :)
    sei l´-a tenho muito medo de ficar grávida pq nao sei como lidaria
    tipo quando vejo q é possivel fico um pouco emocionada pq sei que pode acontecer comigo

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